De relatórios padronizados a EEG multimodal — integrando imagens, biomarcadores e big data
- Mildred Paneca
- 12 de out. de 2025
- 2 min de leitura
Era da Convergência Clínica
Nos últimos anos, a padronização dos laudos de EEG (por meio de sistemas como o SCORE) deixou de ser apenas uma questão de documentação — agora serve como base para a integração de novas tecnologias que estão revolucionando a prática clínica da neurofisiologia. O futuro é multimodal: o EEG se funde com a ressonância magnética, a genética, o vídeo de alta resolução e os biomarcadores moleculares, gerando uma sinergia sem precedentes para o diagnóstico, prognóstico e tratamento da epilepsia e de outros distúrbios neurológicos.
O EEG não anda sozinho: novas fontes de dados
• Vídeo-EEG e Análise Automatizada: A combinação de EEG, sinais fisiológicos e vídeo permite a detecção de correlatos clínicos complexos, a diferenciação de eventos psicogênicos ou movimentos anormais e o treinamento de algoritmos que reconhecem padrões ictais com mínima intervenção humana.
• Imagem Estrutural e Funcional: A integração do EEG com a RM, PET e SPECT permite correlações anátomo-funcionais precisas. Plataformas modernas permitem a importação de imagens e a marcação de zonas epileptogênicas diretamente em relatórios SCORE padronizados.
• Genética e biomarcadores: Desde 2025, o relatório de EEG inclui campos para correlação genética e proteômica, permitindo avaliação de risco, estratificação de síndromes e personalização do tratamento.
Big Data e plataformas interoperáveis
• Bancos de dados SCORE multicêntricos e globais agora estão vinculados a bancos de dados populacionais e ferramentas de análise visual, permitindo:
• Análise multicamadas entre EEG, características clínicas, imagem e genômica.
• Identificação de fenótipos raros e subtipos de doenças.
• Predição de resposta a medicamentos, risco de SUDEP (morte súbita em epilepsia) e predição de recidivas hospitalares.
Desafios da integração multimodal
• Padrões universais: Diferentes equipes e países estão trabalhando para alinhar formatos (DICOM, HL7 e SCORE), permitindo a verdadeira interoperabilidade entre hospitais e laboratórios internacionais.
• Curadoria e qualidade de dados: A validação cruzada entre modalidades requer relatórios confiáveis, semanticamente inequívocos e com controle de qualidade consistente.
• Privacidade e ética: Ao combinar biomedicina, imagem, genética e sinais, a proteção da privacidade deve ser central; consórcios globais estão desenvolvendo protocolos de consenso para anonimização e consentimento informado.
Aplicações clínicas disruptivas
• Epilepsia refratária: Cirurgias guiadas pela integração de EEG padronizado e ressonância magnética funcional aumentam as taxas de sucesso e reduzem complicações.
• Monitoramento em UTI: Sinais de EEG, cardíacos e respiratórios combinados em tempo real permitem diagnóstico precoce e decisões terapêuticas em pacientes críticos.
• Neurodesenvolvimento e doenças raras: A correlação de padrões eletrográficos com fenótipos genéticos permite a descoberta de novas entidades clínicas e a adaptação de protocolos terapêuticos.
A Nova Fronteira: Do Relatório Estruturado ao "Gêmeo Digital" do Cérebro
A padronização não apenas otimiza a prática diária, mas também cria um ecossistema para modelar o cérebro individual de cada paciente — um "gêmeo digital" no qual sinais, imagens, genética e histórico clínico interagem, abrindo caminho para a neurologia personalizada e preditiva.
O desafio para a próxima década: garantir que a integração multimodal, com uma sólida base padronizada, beneficie hospitais de ponta e regiões remotas, democratizando a melhor medicina cerebral possível.
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